Imóveis de milhões avançam e revelam o novo mapa da riqueza em Campo Grande
Apartamentos de milhões de reais, condomínios fechados com estrutura de clube e terrenos vendidos por valores que comprariam várias casas em bairros populare...
Apartamentos de milhões de reais, condomínios fechados com estrutura de clube e terrenos vendidos por valores que comprariam várias casas em bairros populares. Nos últimos anos, empreendimentos desse tipo passaram a ocupar espaço cada vez maior no mercado imobiliário de Campo Grande. Diante de tanta oferta, fica uma pergunta simples: onde está toda essa gente com dinheiro para comprar?
O mercado imobiliário de alto padrão de Campo Grande cresce impulsionado por empresários, produtores rurais e moradores locais, segundo construtoras como Plaenge e Artesano. Apesar do otimismo do setor, dados do Censo Imobiliário do segundo trimestre de 2026 mostram queda nas vendas, de 495 para 408 unidades, e aumento no estoque. Metade dos lançamentos foi enquadrada no programa Minha Casa, Minha Vida, evidenciando que o mercado ainda atende majoritariamente famílias de baixa renda.
A resposta ajuda a revelar uma Campo Grande que nem sempre aparece no cotidiano da maior parte da população. Segundo empresas que atuam no segmento de alto padrão, boa parte dos compradores não desembarcou recentemente de grandes centros do País. Eles já vivem na Capital ou vêm do interior de Mato Grosso do Sul, especialmente empresários, produtores rurais e profissionais ligados aos setores que movimentam a economia estadual.
A Plaenge, que possui empreendimentos de alto padrão na cidade, afirma que percebe aumento do interesse por esse mercado principalmente a partir da pandemia, quando fatores como espaço, segurança, bem-estar e qualidade de vida ganharam importância na escolha da moradia. A empresa também relaciona o movimento ao crescimento econômico de Mato Grosso do Sul.
Apesar da presença de compradores de outros estados, a construtora afirma que a maior parte dos clientes é formada por moradores da própria Campo Grande. Entre os compradores que chegam de outras cidades, chama atenção principalmente o público do interior sul-mato-grossense.
“Em muitos casos, são empresários, produtores rurais e profissionais ligados aos setores que impulsionam a economia do Estado”, informou a empresa. Também há investidores de outras cidades brasileiras interessados no potencial econômico da região.
Dinheiro estava aqui? - A percepção é semelhante no empreendimento Artesano, condomínio horizontal projetado na região onde funcionava a antiga unidade de Agrárias da Uniderp, às margens da BR-163.
Felipe Bortolotto, diretor comercial da Artesano, explica que o público interessado no projeto é de alta renda e procura principalmente uma mudança na forma de morar. Em vez de grandes empreendimentos, parte desses consumidores quer condomínios menores, com mais privacidade e proximidade entre os moradores.
Segundo ele, existe ainda uma característica local que ajuda a explicar a procura por condomínios horizontais: muitos moradores de Campo Grande cresceram em casas e terrenos grandes e encontram dificuldade em migrar diretamente para apartamentos.
“Tem muita gente em Campo Grande que tem a dificuldade de ir para um apartamento porque tem uma lembrança do passado de ter sido criado em casa, entre grandes terrenos”, explica.
Fonte: Campo Grande News